Eletrônica e Física do Estado Sólido
Trechos do 1º Capítulo do livro "Materiais e Dispositivos Eletrônicos" de Sérgio M. Rezende.
A eletrônica é o ramo da
tecnologia mais marcante do século XX. Ela surgiu em 1906 com a invenção, por
Lee de Forest, nos Estados Unidos, da válvula triodo, um dispositivo que tornou
possível a amplificação de sinais elétricos.
Há outros tipos de válvulas como o diodo e os pentodos. O funcionamento
de todas elas é baseado no controle do movimento dos elétrons entre os
eletrodos por meio da ação de um campo elétrico sobre sua carga elétrica. Essa
é a origem do nome ELETRÔNICA.
O principal produto da Eletrônica
na primeira metade do século XX foi o rádio, que possibilitou a comunicação e a
difusão de comunicação e a difusão de informações a distância, através da voz e
da música. Mais tarde foi desenvolvido o sistema para transmissão à distância
de imagens em movimento: a televisão. Depois vieram os computadores e também
uma grande variedade de equipamentos para diversas finalidades.
Porém, a Eletrônica baseada nas
válvulas a vácuo tinha grandes limitações e inconveniências. As válvulas eram
grandes, frágeis, aqueciam muito, tinham vida curta e fabricação dispendiosa,
além de várias desvantagens técnicas. Por esta razão, desde antes da Segunda
Grande Guerra, procurava-se um dispositivo que pudesse substituí-las em
dispositivos eletrônicos. O grande passo
nesta direção foi dado em 1947 por J. Bardeen, W. Brattain e W. Shockley, três
físicos dos laboratórios da Bell Telephone que estudavam propriedades de
condução eletrônica em semicondutores, inventando o transistor.
Durante a década de 50, o
transistor foi aperfeiçoado, tornando-se um dispositivo confiável, com
aplicações nos mais diversos equipamentos eletrônicos e com custos de
fabricação cada vez mais baixos. Na década de 60, assistimos a miniaturização
da eletrônica, com o desenvolvimento dos circuitos integrados, contendo inúmeros
transistores e diodo, interligados com resistores e capacitores, fabricados na
mesma pastilha de semicondutor. A fabricação de circuitos integrados com
elementos de dimensões da ordem de alguns micrômetros (10-6 metros)
deu origem a tecnologia da microeletrônica, e como consequência os
microprocessadores, na década de 70, sendo possível fabricar os
microcomputadores.
A produção de circuitos
integrados e microprocessadores cada vez mais rápidos e com maior número de
elementos está produzindo uma constante evolução na Eletrônica. Esta evolução
provocou uma enorme mudança nos costumes da sociedade, proporcionada pelos
modernos sistemas de comunicação, a ampla utilização dos computadores, a
automação dos meios de produção, e os mais variados equipamentos utilizados em
nossa vida diária. Por esta razão, a Eletrônica tornou-se um dos principais
fatores de desenvolvimento no final do século XX e início do século XXI.
Além dos diodos, transistores,
circuitos integrados e microprocessadores, cuja operação é baseada nas
propriedades de transporte eletrônicos dos semicondutores, existe um grande
número de outros dispositivos que dão á eletrônica uma enorme variedade de
aplicações. Eles são baseados em diversas propriedades ópticas, térmicas,
magnéticas, etc. de materiais sólidos. A descoberta desses dispositivos só foi
possível graças ao conhecimento acumulado com atividades de pesquisa em Física
do Estado Sólido. Até a década de 50, os trabalhos nesta área estavam
concentrados em nos sólidos cristalinos, que são aqueles cujos átomos ou íons
constituintes têm um arranjo ordenado periódico. Devido a esta periodicidade, alguns
fenômenos nestes materiais podem ser interpretados pelas leis físicas com mais
facilidade. Com o progresso das técnicas de investigação, esta área se estendeu
a materiais mais complexos, como vidros, polímeros orgânicos diversos, ligas
amorfas e até mesmo os líquidos, passando a ser conhecida como Física da
Matéria Condensada.
Nesta área da Física trabalham
atualmente mais de 40% dos físicos de todo o mundo e a cada ano surgem novas
linhas de pesquisa, impulsionadas pela descoberta de novas propriedades, novos fenômenos
e novos materiais artificiais. Estes, por sua vez, abrem o potencial para o
desenvolvimento de novos dispositivos que encontram aplicações nos mais nos
mais variados segmentos tecnológicos e cujo interesse econômico impulsiona as
pesquisas básica e aplicada.
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